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Coluna Cerca-lourenço, edição 385, de 10 de outubro

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Barbudo da Avenida, edição nº385

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13/10/2020 - 00:36
Saúde Pública na pauta dos candidatos a prefeito
 Foto: Imagem Ilustrativa 

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Aldo Fogaça

 

A saúde pública sempre foi um problema crônico em Votorantim. As demandas são muitas, as soluções morosas, os recursos insuficientes e a população que depende desse serviço fica refém da falta de agenda para consultas e exames, de vagas nos hospitais para cirurgias e de remédios.

Do orçamento anual, o dinheiro destinado à saúde é, invariavelmente, consumido pela folha de pagamento dos servidores públicos, sobrando pouco – ou quase nada – para investimentos.

Este ano, dos R$ 435.855.459,62 do orçamento, R$ 113.418.446,82 foram reservados à saúde (sem contar os recursos exclusivos para a pandemia da Covid-19)

Para 2021, a estimativa de orçamento é de R$ 450.645.236,85, sendo que para a saúde foram reservados R$ 115.309.977,97, ou seja, pouco menos de R$ 2 milhões.

Essa informação permite concluir que novamente será um ano difícil para a saúde pública municipal.

O novo prefeito da cidade deverá ter muita habilidade para administrar esse dinheiro para que a saúde oferecida à população não deixe a desejar. E mais, deverá buscar verbas estaduais e federais para suprir as novas demandas, como aconteceu com a pandemia do novo coronavírus, e as que virão. O novo mandatário terá que resolver, ainda, os problemas existentes e que perduram a várias gestões.

É fato que não basta construir um novo prédio ou reformar os já existentes se não houver um planejamento de manutenção permanente. É necessário ter dinheiro para custear a mão de obra (servidores públicos ou contratação de terceirizados), compra de equipamentos e se suprimentos.

Aos sete candidatos a prefeito de Votorantim, a Gazeta de Votorantim fez o seguinte questionamento: “Saúde é um problema sem solução em Votorantim? É o maior desafio de um administrador (a) público (a)? Como resolver a questão? Como gerir um sistema que demanda muito dinheiro e sempre requer mais investimentos? Qual a demanda de vagas e serviços? Qual é a sua proposta, que está em seu Plano de Governo, para a Saúde Pública de Votorantim? O que muda após a pandemia (o que a pandemia ensinou?)? Na sua gestão, o que fará para conseguir zerar as agendas de consultas e exames - médicas e odontológicas - acumuladas durante a pandemia? O que pretende fazer para melhorar a estrutura do setor de saúde na rede básica de Votorantim? Confira as respostas:

 

 Fabíola Alves (PSDB)

“Certamente a saúde sempre será um desafio. Propomos como alternativa eficiente a informatização da gestão, pois essa medida proporcionará um maior controle de gastos, como insumos e outras despesas. A informatização trará, também, mais transparência no processo para os usuários do sistema, e, por isso, destacamos a implantação do prontuário eletrônico, como ponto importante. Um trabalho voltado a importância da atenção básica com triagem dos pacientes pode auxiliar na diminuição da demanda das especialidades. Com certeza após a pandemia, teremos uma demanda maior pelos serviços de saúde e será preciso equacionar esse problema intensificando o atendimento nesse período e ampliando onde houver necessidade. Para as cirurgias eletivas também prevemos no plano de governo a ampliação das especialidades e vagas oferecidas. Pensamos em uma rede de apoio no atendimento da população com uma ouvidoria eficiente, garantindo eficácia e segurança nos atendimentos, para que o usuário possa solucionar de forma rápida problemas pontuais. A eficiência da gestão é primordial para a melhoria do acesso a saúde em Votorantim.”

 

Fernando de Oliveira Souza (DEM)

“Não se pode dizer que saúde é um problema sem solução em Votorantim, pois estaríamos indo contra tudo o que fizemos nesta gestão, com reformas nas UBSs, inaugurações da Policlínica do Paulista, UPA do Jataí – prédios abandonados há anos – e o PA para gestantes e crianças. 

A área da saúde é um dos maiores desafios para o gestor, mas não impossível de se resolver quando se busca soluções inovadoras com muita seriedade, como aconteceu em nossa gestão. Quando assumimos em 2017, havia grandes dificuldades para atender a demanda e, por isso, criamos a Central de Vagas, saltando de 1.000 para 5.000 agendamentos por mês. A pandemia nos ensinou que, se você tiver ao seu lado profissionais comprometidos e técnicos, você terá o controle do problema em suas mãos. Queremos ainda ampliar as especialidades, equipamentos para cirurgias eletivas e implantar um Centro de Imagem Municipal. E, para melhorar a estrutura da saúde, vamos buscar um modelo de gestão moderna de TI, com sistemas gerenciais.”


Luiz Santos (PSL)

“Acesso universal, igualitário e gratuito à saúde. Faremos uso de ferramentas tecnológicas para dar celeridade e qualidade no atendimento, criando um programa integrado com o nº do cartão SUS, com acesso pelo profissional de saúde aos prontuários.



Vamos fazer parcerias para atendimento aos dependentes químicos. Criar convênios com laboratórios e clínicas particulares. Garantir transporte seguro e de qualidade aos pacientes que se tratam fora do município. Realizar mutirões para cirurgias eletivas.

Incentivar a vacinação infantil e de adultos. Valorizar e capacitar os profissionais de saúde. Fiscalizar a forma e modo no atendimento médico, melhorando a relação médico/paciente. Fortalecer os atendimentos domiciliares dos pacientes acamados e impossibilitados de mobilidade.

A pandemia escancarou o problema. Houve redução no atendimento de pacientes com outras enfermidades. Quando passar a pandemia, haverá acúmulo para aqueles que deixaram o tratamento, por isso, faremos mutirões de atendimento.”

 

Marcão Papeleiro (PT)

“A saúde é fator delicado para qualquer cidade, porém não deve ser tratada como um problema, e sim como um desafio a ser vencido.

A saúde, se bem direcionada, passa a ser uma forma de promover qualidade de vida.

Para gerir o sistema vamos descentralizar funções, considerando a satisfação do usuário, trabalhando a educação continuada junto aos servidores.

Entre nossas propostas estão o investimento na atenção primária, identificando os agravantes e os fatores de risco; atuando com prevenção, baseados na política nacional de atenção básica; e investimento em equipamentos de saúde.

Com a pandemia, as pessoas estão aprendendo a pensar mais no próximo. Mas vemos o reflexo do isolamento social nos índices de aumento da depressão.

Para zerar a agenda odontológica, temos estratégias que facilitam o acesso aos usuários, como o Ônibus Odontológico. Além disso, vamos investir no centro odontológico.

No atendimento básico, vamos mapear as regiões da cidade, identificando as necessidades da população. Vamos investir em saúde da família; além de estimular a participação da comunidade nos conselhos locais, criando uma gestão participativa.”

 

Rodrigo Chizolini (Psol)

“A saúde está na UTI, os servidores não são valorizados, faltam profissionais, a gestão do sistema é ineficiente e a rede primária não é tratada como estratégica pela gestão. Essas deficiências resultam em superlotação da UPA, aumento da taxa de mortalidade infantil e filas de anos de espera para consultas com especialistas e cirurgias eletivas.

A pandemia tornou mais agudo os problemas na saúde, a atual gestão foi incapaz de tomar providências epidemiológicas que controlasse a propagação da doença.

Faremos uma revolução na saúde no médio para o longo prazo, com a criação de dezenas de equipes médicas de estratégia do programa Saúde da Família, prioritariamente nos bairros mais populosos e vulneráveis, atuando na prevenção e promoção da saúde. Também realizaremos parcerias com instituições de ensino e órgãos governamentais e, com isso, diminuir a demanda na UPA.

Outro aspecto é a revisão do contrato com a empresa que administra o hospital municipal e contratação de profissionais para o ambulatório de especialidades via concurso público.”

 

Silea Benedetti (Solidariedade)

“Não é insolúvel, mas é, sim, um dos grandes desafios da administração. Vamos praticar uma gestão da saúde eficiente. O orçamento da Saúde para 2021 é de R$ 115 milhões. Com austeridade e apurando as deficiências existentes, poderemos encontrar alternativas e gerir melhor essa área. O problema não é falta de dinheiro, mas como ele é investido. Vamos priorizar a atenção à rede básica e a prática da Medicina Preventiva. Promover mutirões de exames clínicos a fim de mapear e encaminhar a população usuária para tratamento de acordo com o seu nível de complexidade. “Zerar” a agenda de consultas acumuladas exige trabalho e seria faltar com a verdade prometer que iremos eliminá-la. Vamos, contudo, trabalhar forte para reduzir ao máximo a fila e assegurar assistência aos que precisam. Melhorar a estrutura da rede básica depende de uma gestão diferenciada. Vamos adotar medidas que otimizem essa estrutura. Atuar para melhoria das condições de trabalho dos profissionais e do aparelhamento das unidades.”

 

Silvano Donizetti Mendes (PTB)

“É questão de gestão dos serviços, com profissionais competentes. O primeiro passo é trabalhar o processo de resgate da confiança do funcionário e dos que sofrem com demora de atendimento. Gerir um sistema que demanda muito dinheiro e sempre requer mais investimentos é como administrar uma empresa. A conta tem que fechar e devemos ter reservas para emergências pontuais. Há processos em andamento e não tem coisa pior do que a espera de um doente que está acamado ou desesperado com sua família aguardando ordem judicial ou boa vontade do poder público. Dinheiro tem, não tem é responsabilidade com ele. Sobre a demanda de vagas e serviços, só em 2021 teremos realmente os números dessas demandas. Nitidamente há uma demora inexplicável para vários atendimentos de especialidades. Quero implantar a Saúde Integral de qualidade para todos. Pós-pandemia, devemos adotar protocolos mais rígidos. Para zerar as agendas de consultas e exames vou criar uma força tarefa com mutirão de várias especialidades.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Reportagem publicada na página 3, da edição nº 385, da Gazeta de Votorantim, de 10 a 16 de outubro de 2020. 









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