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23/12/2019 - 14:00
Histórias da minha cidade, Ed.347
 Foto: Acervo Cesar Silva 

Armazém da fábrica de tecidos, na Barra Funda, na década de 20

Quando ainda era 

possível comprar fiado


As relações comerciais hoje são bem diferentes, mas houve um tempo que não era preciso ter dinheiro para fazer suas compras e nem ter que apresentar comprovante de renda. A grande parte dos moradores do distrito de Votorantim estava alojada nas vilas operárias e tudo girava no entorno das fábricas.
Para os operários a possibilidade de comprar em um dos armazéns mantidos pela S. A. Indústrias Votorantim, espalhados na Barra Funda, Chave, Votocel e Santa Helena e ser descontado na folha de pagamento, já os demais comércios no distrito a chance de ter uma caderneta para comprar fiado ao longo do mês.
Cada estabelecimento particular oferecia sua própria caderneta, havia para compras em armazéns, padarias, açougues, empórios e bares. Uma forma de fidelizar a presença do consumidor, mesmo não havendo a garantia do pagamento. Mas pouco se falava em calote, em caso de aperto financeiro a família vinha até o comerciante, explicava o motivo da dificuldade e ganhava um voto de confiança.
As pessoas eram mais simples, as famílias mais numerosas, o salário já estava comprometido para pagar as despesas da casa e não sobrava para comprar supérfluos. Existia grande preocupação de se manter o crédito e a consideração com quem vendia. Ao pagar as despesas contraídas nos últimos trinta dias automaticamente ganhava-se o direito de continuar a comprar fiado nas semanas seguintes.
Cada comércio chegava manter até 300 cadernetas e com a baixa inadimplência era possível aumentar os estoques e variar as mercadorias. Essa relação entre comerciante e cliente era facilitada no distrito por todos se conhecerem e frequentarem os mesmos espaços para lazer e entretenimento.
Os chamados supermercados de hoje eram os armazéns do passado. Ali as pessoas se encontravam e aproveitavam para prosear. Muitas das mercadorias eram vendidas a granel, enroladas em jornais, os clientes traziam familiares para ajudar a carregar as compras em sacolas de náilon e vez ou outra uma charrete ou carroça ajudava a transportar as mercadorias. 


Cesar Silva é jornalista e 
autor de três livros sobre a 
história de Votorantim contato: 
historiadevotorantim@gmail.com


Coluna publicada na página 14, da edição nº 347, da Gazeta de Votorantim, de 21 de Dezembro de 2019 a 17 de Janeiro de 2020.


Veja mais fotos:

  1. José Sandoval de Barros no seu empório junto a Rua do Comércio

  2. José Sandoval de Barros no seu empório junto a Rua do Comércio







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