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Armazém da Fábrica – 1922 (O celeiro da Vila)
 Foto: Arquivo Pessoal 

Naquele tempo, os bondinhos que a Votorantim possuía para transportar seus operários serviam também aos moradores das Vilas Olímpia, de Baltazar e do Acampamento da Light. Essas vilas não tinham armazém ou bar, nem qualquer outro tipo de comércio. 

Seus habitantes faziam suas compras em Votorantim e Sorocaba, servindo-se dos bondinhos e trens para se locomoverem e despachar suas cargas. 

Nessa época, não existiam ainda as mercearias, supermercados e shoppings. Construído pela fábrica, havia em Votorantim um grande armazém, muito bem abastecido, com padaria (o pão era delicioso) e torrefação de café (O café Votorantim era um dos melhores da região). O armazém ficava no bairro Barra Funda e lá tinha de tudo: desde moringa para água, agulhas de costura, penicos, botinas, sapatos, pratos, gaiolas para pássaros, cestas para o transporte de almoço e janta. Todos os operários compravam lá com vales que eram depois descontados na folha de pagamento. Havia ainda a loja de tecidos e panos estampados na indústria.

No dia da entrega dos vales, o estabelecimento comercial ficava apinhado de gente, que desde a madrugada até a noite, ficava fazendo suas compras. Não havia entrega da compra nas casas, pois a maioria carregava suas próprias compras as costas num saco. 

O armazém superou até as épocas de crise, como durante a 2ª guerra mundial e Revolução de 1932, quando houve o racionamento de açúcar, óleo, farinha de trigo e outros. Apesar das dificuldades, aquela casa comercial jamais deixou que esses alimentos faltassem na mesa dos votorantinenses. 

O Armazém da Fábrica era realmente o celeiro da vila, sendo administrado de forma eficiente pelos funcionários: Humberto Reginato (gerente), Francisco Carreira e Carlim Zaneti; Os dedicados balconistas: Ezir Ribeur (tinha uma linda caligrafia), Pedro Frate, Amadeo, Otávio (ambos carroceiros), Guido, Manoel de Oliveira, Albino, Sinésio Santos, José Leite de Quevedo, Maria Barroso, Queiroga, Moreira, Fulgêncio, Euclides Julio, Raul, Carlos, Belica Delossi, Laura Cleis, Vicente de Camargo. Todos se desdobravam no atendimento à população. 

O Armazém da Fábrica marcou minha infância e juventude e deixou muitas saudades.



“Cidade que não conhece seu passado, não tem futuro.”

    

Coluna publicada na página 16, da edição nº341 da Gazeta de Votorantim, de 02 a 08 de novembro de 2019.










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