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Padre comenta como os votorantinenses podem vivenciar a Campanha da Fraternidade 2019

Campanha tem como tema ‘Fraternidade e Políticas Públicas’
 Foto: Jorge Silva 

Padre Paulo Gonzáles

Ivana Santana 

 

A Campanha da Fraternidade (CF) 2019 foi lançada na tarde da última quarta-feira de Cinzas (06) pelo Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Dom Sérgio da Rocha, na sede provisória da entidade, em Brasília (DF). Neste ano, o tema é “Fraternidade e Políticas Públicas” e o lema é “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). Dom Sérgio disse na abertura que um dos principais objetivos é contribuir para o conhecimento da importância do tema e promover uma participação maior na elaboração de políticas públicas nos diversos âmbitos da vida social (saúde, educação, segurança pública, meio ambiente, etc.) temas já trabalhados em anos anteriores.

Todos os anos, a CNBB apresenta a Campanha da Fraternidade como caminho de conversão quaresmal. É uma atividade ampla de evangelização que pretende ajudar os cristãos e pessoas de boa vontade a vivenciarem a fraternidade em compromissos concretos, provocando, ao mesmo tempo, a renovação da vida da Igreja e a transformação da sociedade, a partir de temas específicos. Em 2019, a Conferência convida todos a percorrer o caminho da participação na formulação, avaliação e controle social das políticas públicas em todos os níveis como forma de melhorar a qualidade dos serviços prestados ao povo brasileiro.

Antes do lançamento, o Papa Francisco enviou uma mensagem sobre a campanha. “Com o início da Quaresma, somos convidados a preparar-nos, através das práticas penitenciais do jejum, da esmola e da oração, para a celebração da vitória do Senhor Jesus sobre o pecado e a morte. Para inspirar, iluminar e integrar tais práticas como componentes de um caminho pessoal e comunitário em direção à Páscoa de Cristo, a Campanha da Fraternidade propõe aos cristãos brasileiros o horizonte das políticas públicas. (...) Todas as pessoas e instituições devem se sentir protagonistas das iniciativas e ações que promovam ‘o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição’ (Gaudium et spes, 74). Cientes disso, os cristãos (...) devem buscar uma participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo, que permita a construção de uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça (...)”, disse o Papa em um trecho de sua mensagem.

Dom Sérgio ressaltou que a Igreja não pretende oferecer soluções técnicas para os problemas sociais, nem se deixa guiar por ideologias ou partidos, mas que cumpre a sua missão profética nas condições concretas da história, oferecendo aquilo que tem de mais precioso: a luz da fé, a Palavra de Deus, os valores do Evangelho. “A Igreja oferece critérios, princípios, valores éticos, a serem acolhidos na ação político partidária e demais iniciativas no âmbito político, tendo como grandes fontes a Palavra de Deus e a Doutrina Social da Igreja”, disse.

“A Campanha da Fraternidade tem repercutido não apenas no interior das comunidades católicas, mas também nos diversos ambientes da sociedade. Pela sua natureza, ela sempre vai muito além da Igreja Católica. Tem contado, cada vez mais, com a participação de muitas entidades da sociedade civil, de escolas, de outras igrejas cristãs e de órgãos públicos. A Campanha exige ações comunitárias, além das iniciativas pessoais. Exige sempre com muito diálogo, reflexão e ação conjunta, especialmente para desenvolver o tema das políticas públicas. A construção de políticas públicas deve ser tarefa coletiva numa sociedade democrática e participativa“, destacou ainda o Cardeal

 

Como os votorantinenses podem 

se engajar na Campanha?

De acordo com o padre Paulo Roberto Gonzáles, apresentador do programa “Amor à Vida”, da TV Votorantim, é importante entender que políticas públicas não são partidárias. “Normalmente quando se fala de políticas públicas da impressão de que quem tem que fazer política são aqueles que são políticos. Não é isso. Nós fazemos política porque nós moramos na polis, e a polis é a cidade. Então quando eu não quero fazer política, acabam fazendo por mim, e eu acabo sendo manipulado. Eu acredito que é importante que você seja um político, mas não necessariamente partidário. Quando a igreja propõe no Brasil essa reflexão, ela propõe que aquilo que está na Constituição Federal e aquilo que o Estado promove como políticas públicas possa ter maior participação do povo, e que as pessoas busquem os seus direitos”, explica o padre.

“Existem muitas leis que favorecem o cidadão. Mas como a gente não quer saber, a gente acaba se fechando. Então, a Campanha da Fraternidade é gerada nesse período quaresmal, que não é só um período de conversão pessoal, porque quando a gente está falando de conversão a gente está falando de mudança de mentalidade. Então, a pretensão que nós temos pode ser uma utopia, mas é uma pretensão de tentar mudar a mentalidade individual e também a coletiva, para que a gente possa enfim buscar os nossos direitos, fazer acontecer na realidade um país onde o direito e a justiça possam acontecer e que as pessoas possam viver melhor com isso e serem felizes, porque a gente vê tanta injustiça, tanta violência, tanta alienação, então nada melhor do que reconhecer os nossos direitos e colocá-los em prática para que haja justiça”, destaca o padre Paulo.

 “Os cristãos católicos vão refletir e estudar o texto-base da Campanha, dentro das Comunidades nós temos esse texto na mão, que vai abrir várias possibilidades, como um leque. Então a gente espera que as pessoas possam se interessar mais por isso, que elas possam se envolver em certas situações que vão ajudar realmente a dar direito as pessoas, isso é fundamental. Veja bem, de repente eu sou um cidadão que eu contribuo. Será que essa contribuição é revertida para que? Vamos supor que seja revertida para locomoção, para transporte público, então vamos cobrar, vamos brigar, no bom sentido da palavra”, explica.

O padre afirma que os votorantinenses podem aderir a Campanha refletindo e ajudando os menos instruídos a entenderem melhor seus direitos. “Como o próprio tema diz, nós vamos fazer campanha para que a fraternidade possa acontecer, para que o direito possa acontecer. Muitas pessoas às vezes são colocadas à margem, colocadas no ostracismo, colocadas de lado na sociedade. E eles também têm direitos, e a gente precisa ajudar. É aquilo que Jesus dizia: ‘eu vim para servir e não para ser servido’. Se eu estou aqui é para que nós nos vivamos na fraternidade e na solidariedade, como irmãos e irmãs que somos. Nós temos que nos preocupar com os outros, senão nós vivemos no egoísmo , na nossa vida individual, voltada somente para nós mesmos. Não dá, homem algum é uma ilha. Nós precisamos nos ajudar mutuamente. Então, é nesse sentido que nós queremos pensar, na coletividade, naquilo que é comunidade, como se vive a comunidade hoje. Porque senão eu me fecho no meu condomínio, dentro do meu muro, coloco cerca elétrica e não quero saber o que se passa lá fora, isso não constrói nada. O que você constrói para que o mundo seja melhor? Esse mundo começa na sua casa, depois vai para a escola, depois vai para o trabalho, e é assim que haverá uma transformação”, conclui.

Publicado na edição 307 do Jornal Gazeta de Votorantim, de 09 a 15 de março de 2019, página 06.










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