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11/03/2019 - 10:53
Tradição: feiras sobrevivem as dificuldades e tem público fiel em Votorantim

Ivana Santana
 Foto: Jorge Silva 

Maria de Lourdes e Jeferson chegam às 4h40 para montar a barraca

Madrugada chuvosa, vento gelado... O clima perfeito para dormir bem! Mas, para Maria de Lourdes Goneli Gomes, de 64 anos, e seu marido Jeferson Gomes, de 68 anos, tempo ruim não é desculpa: às 4h40 da madrugada do último dia 28, quinta-feira, o casal estacionava na Rua Francisco Lopes de Almeida, no bairro Jardim Serrano, em Votorantim, e começava a montar a barraca. Os dois são feirantes e, faça chuva ou faça sol, estão a postos bem cedinho para montar a barraca e a banca, na qual vendem legumes. “A gente chega cedo para arrumar tudo. Colocamos tudo na banca, escolhendo os produtos um por um, para não ter nada podre no meio. Tem que ter todo o cuidado do mundo”, explica Maria.

As feiras são uma tradição na vida de muitas pessoas. Segundo a Prefeitura Municipal de Votorantim, atualmente são realizadas nove feiras na cidade, de terça-feira a domingo, em diversos bairros. Jeferson conta que faz feira na cidade a mais de 30 anos e a 22 anos sua esposa Maria trabalha com ele. Eles moram em Sorocaba, no bairro Central Park, mas atualmente só fazem feiras em Votorantim, de terça a domingo, em diversos bairros. “Eu gosto de fazer feira. Eu gosto de comprar as coisas boas e bonitas para vender aqui na feira. Meus produtos são todos bons e bonitos. Eu sobrevivo disso”, afirma a feirante.

A rotina dos feirantes, que são casados há 43 anos, é intensa. “Meu marido acorda 2h30 da madrugada. Ele levanta, faz café, checa o celular. Ai 3h30 ele me acorda e umas 4h30 a gente sai de casa. Um pouco antes das 5h a gente chega na feira. Antes meu marido era metido, ele pegava as coisas e queria montar tudo sozinho. Mas ele teve uma hérnia alguns anos e agora eu o ajudo a montar. Hoje nós fazemos tudo juntos. Às cerca de 11h30 a gente já guarda as coisas para ir embora, porque a gente tem que fazer as compras. Eu costumo comprar as mercadorias no Ceavo, aqui em Votorantim mesmo”, relata Maria

Toda essa dedicação é apreciada pelo público da feira que, mesmo em dia de chuva, não perde o dia de feira. “Tem que fazer comida, então tem que vir na feira, faça chuva ou faça sol”, comenta o aposentado Francisco Alberto Scudeler, de 58 anos, que mora no Jardim Clarice. Ele conta que toda semana vai até a feira com seu pai, o também aposentado Antônio Francisco Scudeler, de 82 anos.

A variedade e a qualidade são atrativos para muitos frequentadores das feiras. “Eu compro na feira principalmente frutas e verduras. Os preços variam. Tem coisas que é melhor comprar aqui e tem coisas que é melhor comprar no mercado. Geralmente aqui é mais barato coisas como banana e alface. Mas eu prefiro vir na feira porque aqui eu acho mais variedade. Tem coisas que eu acho só na feira e não acho no mercado, como abacate, melancia e outras frutas”, relata o aposentado Adelto Ferreira da Silva, de 56 anos, que mora no bairro Santos Dumont.

“O produto aqui é mais fresco, melhor e tem mais variedade. Desde criança eu sempre fui em feiras, é uma tradição. Toda semana eu tenho que vir na feira. Faça chuva ou faça sol eu tenho que vir, não desanimo”, conta a dona de casa Fernanda Araújo Macedo, de 29 anos, que mora na Vila Guilherme.

Mas além dos preços e da variedade, a feira também é tradição por outro motivo: o contato humano. “Eu prefiro vir na feira porque eu acho mais barato que o mercado. Eu gasto cerca de R$ 60,00 aqui na feira toda vez que venho, mas se eu fosse no mercado eu ia gastar mais. E eu também gosto do contato humano, os feirantes são muito educados com a gente. Mesmo com chuva, eu venho. Eu sempre venho cedinho, cerca de 7h já estou aqui, porque aí eu pego as melhores coisas. Eu acho que a feira nunca vai acabar, porque sempre vai ter gente para comprar”, destaca o porteiro João Batista de Miranda, de 64 anos, que mora no Jardim Serrano.

A feirante Maria concorda, e diz que conhece bem todos os seus fregueses e seus gostos. “Eu não posso mudar nada de lugar na banca que o freguês já percebe. E eu já sei o gosto de todos os meus fregueses. Por exemplo, já aconteceu de vir só o marido comprar eu já avisei: ‘não pega tal coisa porque sua esposa vai ficar brava, ela gosta daquela outra mercadoria’. Porque eu já sei como as pessoas gostam de comprar aqui. A gente tem um vínculo, uma amizade”, conta.

E a relação com os fregueses não é exclusividade de Maria. O feirante Daniel Cândido da Silva, de 63 anos, que mora no bairro São Luís, em Votorantim, que faz feira a 34 anos na cidade e em Sorocaba, conta que tem muitos clientes fiéis. “Eu conheço quase todos os meus clientes pelo nome”, afirma o feirante, que vende legumes.

 

Vendas caíram ao 

longo dos anos

Mesmo com muitas pessoas ainda tendo a tradição de ir em feiras, ser feirante em 2019 não é fácil. Maria conta que as vendas caíram muito nos últimos anos. “Vinte anos atrás a gente não tinha tanta concorrência com supermercados. A gente vendia mais e lucrava mais. De uns cinco anos para cá a concorrência ficou muito grande com os supermercados, eles querem acabar com a feira. Mas eu resisto. Eu não ganho mais como eu ganhava antes, não que antes eu ganhasse uma fortuna, mas eu ganhava mais. Todos os meus filhos fizeram faculdade, a gente pagou tudo com o dinheiro da feira. Hoje está mais difícil, mas eu ainda pago todas as minhas contas com o dinheiro da feira”, relata.

“Antes a gente vendia mais, hoje em dia está bem mais fraco. Há 30 anos tinha menos supermercados, e a maioria não abria de final de semana e feriado. Hoje tem muito mercado e eles abrem direto. Mas o que tem na feira é outro tipo de mercadoria, é diferente do mercado. Tem mais variedade e é tudo fresquinho. Eu renovo todo dia a minha mercadoria. Às vezes nossos preços são até mais caros, mas a mercadoria é melhor, é até mais durável, por isso compensa mais”, explica Daniel.

Porém, mesmo com as dificuldades, o amor pela feira é grande. Por isso, abandonar a feira não está nos planos de Maria. “Eu não penso em parar. Eu até preciso parar, mas não quero parar. Eu acho que se eu ficar em casa cuidando dos meus filhos eu vou trabalhar mais lá do que aqui. Se eu ficar em casa eu tenho que cozinhar, lavar e passar. Eu gosto mais de trabalhar na feira”, afirma.

 

Lazer e alimentação

“Tem muita gente hoje que só vem na feira para comer pastel”, relata o feirante Daniel. Para muitos, a tradição é sagrada. “É gostoso de vir na feira pela tradição. Às vezes eu trago minha cunhada e as nossas crianças também. A gente come pastel e eles se divertem, eles amam”, conta a dona de casa Fernanda.

A dona de casa Neusa Rodrigues de Lima Santos, de 47 anos, também é uma das amantes do pastel. Mesmo com chuva, ela e a mãe Angelina Rodrigues de Queiróz, aposentada de 74 anos, não perdem a chance de comer um pastelzinho toda semana. As duas moram no Jardim Serrano, e a proximidade com a feira é um estímulo a mais para as duas. “Eu sempre venho na feira para comer pastel de frango com catupiry. Não dá para ir embora sem comer pastel”, destaca a aposentada.

“Eu gosto de vir na feira porque é bom para passear e também para comer pastel. É uma tradição. Quase sempre que eu venho eu tenho que comer um pastelzinho. Eu gosto muito. Hoje eu estou comendo pastel de camarão. O pastel da feira é diferente do pastel da pastelaria, é mais crocante, não é muito gorduroso. É muito bom”, comenta Neusa.

 

Feiras de Votorantim

Ficou com vontade de comprar produtos fresquinhos ou de comer um pastel? Então confira os pontos e dias da semana em que são realizadas as feiras em Votorantim, de acordo com a Prefeitura: terça-feira: Avenida José Gonçalves Romero Pauçu, Jardim Europa; terça-feira: Rua Manoel Augusto Rangel, Rio Acima; terça-feira: Rua Acácio Miller (noturna); quarta-feira: Rua Pashcoal Carrara, Vila Garcia; quarta-feira: Praça da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Vossoroca; quinta-feira: Rua Francisco Lopes de Almeida, Jardim Serrano; sexta-feira: Rua Amália David Trinca, Jardim Archila; sábado: Estrada Sorocaba Votorantim, ao lado Praça de Eventos; domingo: Avenida Pedro Augusto Rangel, Vila Nova Votorantim.

Publicado na edição 307 do Jornal Gazeta de Votorantim, de 09 a 15 de março de 2019, página 05.



Veja mais fotos:

  1. Adelto Ferreira da Silva (Foto: Ivana Santana)

  2. Adelto Ferreira da Silva (Foto: Ivana Santana)
  3. Daniel Cândido da Silva (Foto: Ivana Santana)

  4. Daniel Cândido da Silva (Foto: Ivana Santana)
  5. Fernanda Araújo Macedo (Foto: Ivana Santana)

  6. Fernanda Araújo Macedo (Foto: Ivana Santana)
  7. Francisco Alberto Scudeler (Foto: Ivana Santana)

  8. Francisco Alberto Scudeler (Foto: Ivana Santana)
  9. Jeferson e Maria de Lourdes Gomes (Foto: Ivana Santana)

  10. Jeferson e Maria de Lourdes Gomes (Foto: Ivana Santana)
  11. Neusa Rodrigues de Lima Santos e Angelina Rodrigues de Queiróz (Foto: Ivana Santana)

  12. Neusa Rodrigues de Lima Santos e Angelina Rodrigues de Queiróz (Foto: Ivana Santana)
  13. O trabalho começa antes de amanhecer o dia (Foto: Jorge Silva)

  14. O trabalho começa antes de amanhecer o dia (Foto: Jorge Silva)







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