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Premiado espetáculo de dança Peças Fáceis, do Grupo Pró-Posição, faz apresentação única no Parque da Autonomia

Espaço também recebe a oficina Dança Sonora Para Terceira Idade, gratuita e aberta ao público
 Foto: Divulgação 

bailarina Janice Vieira e a filha Andréia Nhur

 

A bailarina Janice Vieira, 77 anos e a filha Andréia Nhur, 35 anos apresentam o espetáculo Peças Fáceis no dia 10 de novembro, sábado, às 20h, no Parque da Autonomia (R. João Gugoni, 26 – Jardim Icatu), em Votorantim. As artistas também oferecem o workshop Dança Sonora Para Terceira Idade no dia 11, domingo, às 10h30. A apresentação e o workshop são gratuitos e abertos ao público. O espetáculo rendeu prêmio de Melhor Intérprete para Andréia Nhur no Prêmio Denilto Gomes de 2017 e foi finalista na categoria de Melhor Espetáculo de 2017 pelo Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). Peças Fáceis circula com o apoio do ProAC 05/2018.

O espetáculo tem como referências algumas das peças de Johann Sebastian Bach (1685-1750) e Christian Petzold (1677-1733) organizadas por Bach e sua esposa, Anna Magdalena Bach (1701-1770) no Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach. Músicas de contraponto, muito utilizadas no aprendizado de instrumentos, serviram como material de estudos para Janice Vieira em sua formação como acordeonista, além de guiar Andréia em suas experiências com violão erudito na infância. A partir desta memória musical comum, mãe e filha iniciaram o processo de criação do espetáculo, o quinto em que trabalham juntas após Swan (2007), O cisne, minha mãe e eu (2008), LinhaGens (2009) e Vis-à-Vis (2012).

“Depois de tudo que criamos juntas, quisemos olhar para o que mais poderia ser extraído da nossa parceria. Um ponto de partida para nossa dança é a música como uma presença sempre constante e também a investigação do que ela faz com o corpo que dança”, diz Andréia.

No espetáculo, entendido como “plataforma sonorocoreográfica” - conceituam as artistas - os minuetos de Bach e Petzold são experimentados com violão e pandeiro por Andreia e com castanholas e acordeom por Janice. A dupla também utiliza a voz em momentos solos e conjuntos. Além de construírem em cena uma trajetória afetiva - assinatura dos seus trabalhos - as artistas também criam uma discussão sobre a própria linguagem barroca, que tem em sua concepção um impacto entre diferentes culturas do mundo inteiro.

“Desses minuetos, que são formalistas em sua estrutura, vamos para o canto sefardita (termo referente aos descendentes de judeus originários de Portugal e Espanha) e até para o coco nordestino, sempre em busca do que pode haver entre o som que emitimos e o corpo”, diz Andreia. A mistura de gêneros e épocas não é aleatória: ela tem a ver com a própria concepção do que é o barroco. Etimologicamente, barroco designa uma pérola imperfeita, imagem que reforça os grandes contrastes na arte e na natureza.  Exemplos para esse contraste no trabalho são os melismas (mais de uma nota na execução de uma sílaba musical) presentes na música sefardita entoada por Andréia.

Janice, que volta a utilizar a voz em cena depois de anos, ressalta a importância de dançar Peças Fáceis ao lado da filha: “Na década de 70 eu criava espetáculos muito engajados. Nos outros trabalhos com Andreia mantivemos muito esse tom político. Eu me referenciando ao período da ditadura e ela às reivindicações dos tempos atuais, como as manifestações de 2013. Nesta peça, nossa resistência política tem a ver com a celebração do afeto”, explica.

Andréia afirma que Peças Fáceis é um “festejo de resistência” em meio a uma sociedade neoliberal que prevê apenas a desvinculação e deterioração dos laços. “Na minha família costumamos dizer que há um aprendizado artístico transversal, com trocas múltiplas de saberes”. Sobre esse aspecto, Andreia reforça a presença de Ramon Vieira – seu irmão e filho de Janice – na consultoria rítmica do espetáculo. Percussionista e cantor, Ramon apoiou mãe e filha desde o início do processo. “Aprendi pandeiro encostando no Ramon”, complementa Andréia, que toca o instrumento em cena.

Ainda no campo familiar, Peças Fáceis tem colaboração de Roberto Gill Camargo, diretor de teatro, dramaturgo e iluminador. Pai de Andreia e esposo de Janice, Gill trouxe à cena uma luz atmosférica, sem foco específico e que parte do branco até o âmbar.

A peça ainda tem colaboração de Helena Bastos – bailarina, coreógrafa e pesquisadora que auxiliou no pensamento coreográfico do espetáculo, propondo novos desafios de espaço e movimento; da regente, cantora, violonista e pesquisadora Andrea Drigo, instigando potencialidades musicais distintas; da bailarina Adriana Pinheiro, que participou da primeira fase do Grupo Pró-Posição; da cantora e pesquisadora Márcia Mah; e da produtora e assistente de iluminação Paola Bertolini.

Na pesquisa para criação do espetáculo, os atravessamentos vieram desde a memória afetiva até o campo teórico. Andreia utilizou estudos sobre a mestiçagem cultural para pensar o barroco atravessado pela cultura ibérica e nordestina.

Entre os estudos, ela destaca a afirmação do poeta, tradutor e professor Amálio Pinheiro, que define mestiçagem como “uma onça alegre que se alimenta de todas esses outros (bichos, gentes, objetos) escondidos, abandonados e rejeitados”, e não como um mero cruzamento de raças. A afirmação de Amálio também ilumina a ideia modernista da antropofagia - de culturas que se devoram - conceito vivido por Janice no período inicial do Grupo Pró-Posição, em que o modernismo era um movimento efervescente no Brasil e na Europa.

A artista também se debruçou em estudos do filósofo italiano Giorgio Agamben sobre a ideia do gesto, que ele caracteriza como a “comunicação de uma comunicabilidade”. Daí as possibilidades de encontrar as harmonias nas diferenças entre gestos dançados, gestos musicais, movimentos, habilidade musicais e disponibilidades corporais entre Janice e Andréia.

Sinopse Curta

Performado por mãe e filha bailarinas, Peças Fáceis propõe um estudo sonorocoreográfico a partir de peças musicais barrocas de J.S. Bach e C. Petzold, em que movimento e som são produzidos na mesma dimensão temporal, ora por um disparo de voz que é gesto dançado, ora por uma propulsão de instrumento que é corpo. Vencedor do Prêmio Denilto Gomes de melhor intérprete e Finalista ao Prêmio APCA de melhor espetáculo em 2017.

Ficha Técnica

Concepção, coreografia, Criação Musical e Execução: Janice Vieira e Andréia Nhur. Artistas Colaboradores: Helena Bastos (colaboração coreográfica), Roberto Gill Camargo (colaboração dramatúrgica) e Andrea Drigo (colaboração musical).Trabalho Corporal: Adriana Pinheiro. Trabalho Vocal: Márcia Mah e Andrea Drigo. Desenho de Luz: Roberto Gill Camargo. Consultoria Rítmica: Ramon Vieira. Figurinos: Grupo Pró-Posição. Produção: Paola Bertolini. Arte Gráfica: André Bertolini. Assessoria de Imprensa: Ensaio Comunicação. Fotos: Paola Bertolini e Inês Correa. Vídeos (Mini Docs): Andréia Nhur, Paola Bertolini e Lucas Mercadante (Equipe Olha-te). Ação-Fotográfica: Paola Bertolini

Serviço

Peças Fáceis – Plataforma Sonorocoreográfica.

Dia 10 de novembro, sábado, às 20h.

Local: Parque da Autonomia (Rua João Gugoni, 26 – Jardim Icatu. Votorantim)

Classificação: Livre.

Ingressos: o espetáculo terá ingressos vendidos na porta por R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Oficina Dança Sonora Para Terceira Idade

Dia 11 de novembro, domingo, das 10h30 às 12h30.

Local: Parque da Autonomia (Rua João Gugoni, 26 – Jardim Icatu. Votorantim)

 

 

Fonte: Assessoria de Imprensa - Parque da Autonomia










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