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ADV comemora 23 anos e muitas conquistas

Associação realiza cerca de 42.000 atendimentos com deficientes por ano
 Foto: Divulgação 

ADV oferece tratamento de hidroterapia para reabilitação


Ivana Santana
 
A Associação dos Deficientes de Votorantim (ADV) comemorou 23 anos no último mês. A Associação realiza cerca de 42.000 atendimentos por ano, para pessoas de todas as idades, segundo o presidente Jefferson Martinez. “Nós atendemos deficiências físicas e múltiplas, e também intelectuais leves, como Síndrome de Down. Hoje, nós temos fisioterapia, fonoaudiologia, terapeuta ocupacional, aulas de música, assistente social, hidroterapia, integração sensorial, dança sênior, que é um trabalho direcionado aos idosos, exames de audiometria, ajudamos a encaminhar para o mercado de trabalho”, explica. Atualmente, 24 funcionários registrados trabalham na ADV e todos os serviços oferecidos para os deficientes da cidade são gratuitos.
A ADV surgiu a partir de um grupo de mães e pais de deficientes da cidade. “Eles tinham que encaminhar esses filhos para entidades e organizações de Sorocaba. Então, por que não ter aqui em Votorantim? Por que não ter uma organização que pudesse atender à necessidade dessas crianças?”, explica Jefferson.
O presidente afirma que o número de serviços oferecidos aumentou desde que a ADV conseguiu uma nova sede, que foi construída especialmente para se adequar às necessidades da Associação. Há pouco mais de um ano, a ADV funciona em uma instalação de 1.200 metros quadrados, com salas específicas e equipadas para cada serviço. O investimento total na obra foi de R$ 2,5 milhões. A nova sede fica na Rua Monte Alegre, 470, no Centro. “Eu sonhava com essa nova sede, que hoje é uma referência na região”, conta.
Segundo Jefferson, a primeira unidade, que fica na Avenida José Miguel Skif, 109, no bairro Barra Funda, ainda está ativa e oferece hoje fisioterapia para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), encaminhados pela Secretaria de Saúde da cidade. A entidade tem convênios com a Prefeitura de Sorocaba, Secretaria de Saúde de Votorantim, Diretoria Regional de Saúde, e planos de saúde particulares.
 
Recursos
Jefferson ressalta que a ADV tem gastos altos todos os meses: “há um grande custo para manter um trabalho como o nosso. Porque os nossos pacientes não recebem alta. Não é um tipo de patologia que você fica uma semana ou um mês e recebe alta. Muitos dos nossos pacientes estão aqui há anos. Então, é um trabalho que tem um custo e uma manutenção altos”.
Como os atendimentos aos deficientes são gratuitos, a Associação consegue verbas para se manter de outras formas. “Hoje nós temos um convênio com a Prefeitura de Votorantim, que banca uma pequena parte do nosso custo, temos convênio com o Governo do Estado, que banca outra pequena parte. Mas a maior parte dos nossos custos sai da nossa própria conta. Nós bancamos essa parte através de eventos, de parcerias que surgem com empresas, mas a maior verba vem através da Nota Fiscal Paulista”, destaca o presidente.
Jefferson explica que eles arrecadam notas fiscais em mais de mil pontos na cidade. “Hoje, nós cadastramos cerca de 100 mil notas fiscais por mês. Até dezembro do ano passado, antes de mudar o sistema para cadastrar notas, nós cadastrávamos cerca de 240 mil notas por mês. Nós ficamos em décimo lugar de arrecadação em nota fiscal no estado de São Paulo”.
Além dos pontos de arrecadação, eles contam com doações de pessoas físicas. Segundo Jefferson, qualquer pessoa pode doar nota fiscal sem CPF para a Associação: basta baixar o aplicativo da nota fiscal, se cadastrar e, pelo próprio aplicativo, doar a nota para a “ADV Viva Legal”. Se o usuário tiver dúvidas, pode ir até a ADV e eles esclarecem e ajudam no processo.
“Hoje nós temos uma demanda de mais de 40 nomes na lista de espera. Nós temos estrutura para atender essas pessoas, mas isso demanda uma verba que no momento nós não temos. Se as pessoas doarem mais notas fiscais, nos ajuda bastante”, destaca.
 
Serviços oferecidos
mudam vidas
“A gente tem certeza que o nosso trabalho tem mudado a vida das pessoas. Tem muitas pessoas que chegam aqui com autoestima baixa, sem perspectiva, e o trabalho com os nossos profissionais tem feito muito para que essas pessoas acreditem no potencial delas, para que acreditem em si mesmas”, frisa Jefferson.
E os profissionais fazem mesmo muita diferença, por um motivo muito especial: trabalham com amor. É o que afirma a fisioterapeuta Kariny Martinez, de 23 anos, que trabalha na ADV há pouco mais de um ano. “Além da estrutura, a ADV conta com profissionais que são muito dedicados e fazem tudo com amor. Se você for perguntar para qualquer um dos profissionais que trabalham aqui, eles vão te responder a mesma coisa: que amam estar aqui. Então, além da estrutura, que a gente não encontra em nenhum outro lugar, a gente tem todo o amparo. A saúde pública no Brasil é muito defasada, e aqui, onde o trabalho é feito de graça, a pessoa chega e fica até encantada”, conta.
“Nós temos muitas histórias de pessoas que chegaram aqui na ADV de uma maneira e saíram de outra. Temos crianças que chegaram aqui na cadeira de rodas e com o trabalho de intenso de fisioterapia, saíram andando”, destaca Jefferson.
A estudante Joice Gefuni, de 18 anos, que mora no Conjunto Habitacional Mario Augusto Ribeiro (Promorar), em Votorantim, é uma das pessoas que faz tratamento na ADV: ela é atendida pela Associação há 13 anos. “Estou conseguindo me desenvolver bem, sair sozinha, fazer tudo sozinha. Todos os profissionais são maravilhosos e aqui dentro eu me sinto bem. Todo mês a gente faz um passeio diferente, como ir ao cinema. E eu sinto que essa independência está me ajudando, eu sinto que eu sei me virar sozinha”, relata a jovem, que nasceu com paralisia cerebral. Joice já fez na Associação fonoaudiologia e hoje faz hidroterapia, fisioterapia e participa de um grupo de psicologia com adolescentes da mesma idade e com a mesma deficiência.
Sua mãe, Rosimar Gonçalves Amorim Gefuni, do lar de 46 anos, conta que, aos cinco anos, Joice não andava e não falava direito. Hoje, após anos de tratamento contínuo, Joice faz tudo isso. “Eu vi muita melhora com o tratamento na ADV. O desenvolvimento dela foi todo aqui. Eu só faço o tratamento aqui, e ele não tem custo algum, a gente não paga nada, é tudo gratuito. Eu não poderia estar pagando um tratamento, não tenho condições, é um custo muito alto. Então, a ADV faz muita diferença”, conclui.

 

 

Reportagem publicada na edição n°288 da Gazeta de Votorantim de 05 a 11 de outubro de 2018, página 08.

 



Veja mais fotos:

  1. Kariny Martinez. Por Ivana Santana

  2. Kariny Martinez. Por Ivana Santana
  3. Jefferson Martinez. Por Ivana Santana

  4. Jefferson Martinez. Por Ivana Santana
  5. Rose e sua filha Joice. Por Ivana Santana

  6. Rose e sua filha Joice. Por Ivana Santana







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